domingo, 3 de junho de 2012

Palestra sobre sacolas plásticas põe em debate economia, legislação e meio ambiente


Por Maryna Napolitano

Foi dado início ao segundo dia do evento do São Paulo + 20, nas Faculdades Integradas Rio Branco, que conta com uma sequência de palestras que  simulam as negociações diplomáticas da Rio + 20.

O debate, sobre proibição da venda e distribuição de sacolas plásticas, foi ministrado pelo professor Ricardo Pastori, coordenador do núcleo de estudos sobre varejo da ESPM e por Renata Marques Ferreira, professora de direito ambiental, que discutiram durante cerca de uma hora e meia sobre a abolição das sacolas plásticas, partindo de leis já sancionadas.

Em sua palestra, Renata explicou que o Brasil implementa legislações do exterior  que não condizem com a realidade do país. Em São Paulo, por exemplo, a proibição não diminuiu o uso dessas sacolas e o beneficiado foi o setor varejista, que reduziu em cerca de 450 milhões de reais o orçamento mensal. Ferreira ressaltou que a proibição é inconstitucional e o custo das sacolas foi apenas repassado ao consumidor. “Parar de distribuir a sacola não tirará o planeta do sufoco, e sim a educação ambiental. As leis brasileiras precisam ser voltadas para o ‘Brasil Real’, pobre, miserável e desigual, não adianta querer trazer práticas europeias para o Brasil’”.

De acordo com dados trazidos por Pastori, 5,5% do PIB brasileiro é obtido através das atividades dos supermercados, e dessa porcentagem, cerca de 0,5% do faturamento é gasto em embalagem, e cerca de 2% de todo o valor arrecadado é lucro. Eliminando a despesa das sacolas plásticas, o setor obteve aumento na lucratividade.

Para os convidados, sob a ótica política, 2012 é um ano sugestivo devido às eleições que se aproximam e, por isso, há um interesse da parte do prefeito em promover uma lei simpática e que possa cativar os cidadãos.

De acordo com o discurso de Pastori em relação à poluição, de fato as sacolas são um agravante, porém a solução não é a eliminação do serviço, ou seja, os parâmetros para justificar as medidas são equivocados e os responsáveis por diminuir a miopia quanto a essas questões são os novos líderes.

 Segundo os palestrantes, a maneira mais adequada seria a regulamentação ambiental nos municípios, uma vez que eles têm a autorização constitucional para legislar, de modo que os conceitos gerais dessas leis sejam revistos. “A intenção não é prejudicar uma lei que beneficie o meio ambiente, mas alertar o consumidor para a sua ausência enquanto cidadão”, encerrou Renata.

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